Um fantasma ao meu redor me faz lembrar o passado infeliz. Nas paredes os rostos de quem já me apeguei e logo depois apaguei. Eles tinham família... Eu tinha!
O espectro do meio faz a proposta de retirar a minha vida para aliviar as almas que eu fiz se perder. Onde está meu revolver? Não consigo fazê-lo calar a boca, a todo o tempo julga-me assassino.
Não vejo o teto, somente o reflexo do que me tornei. Um psicopata com sangue dos outros nas veias e na boca.
Estou ficando tonto. O que gira ao meu redor? O fantasma, ou meus olhos cansados de tanta amargura? E meu revolver, cadê?
A seringa no chão me lembra os tempos de infância, onde odiava injeção; Hoje é o que me alucina! Nem de olhos fechados deixo de me ver, nem de ouvidos machucados deixo de me escutar.
– Calem a boca! – eu grito, mas pouco interessa a eles. No fim acho que já estou morto de qualquer forma.
Um cigarro é o que eu preciso para assistir as gerações de muitos que roubei a vida, mas nos bolsos encontro somente o que procurava anteriormente. Meu revolver!
O espectro agora somente me observa. Percebo que boa parte dos barulhos vinham dele, porque agora só ouço minhas próprias dores.
Está na hora de acabar com o sofrimento!
Uma ultima olhada para o espelho no teto, me faz ver os olhos da criança atormentada. Sou eu? Nunca saberei.
O gosto de sangue misturado a pólvora. O projétil gelado arrebentando cada veia e músculo na sua jornada pelo meu corpo até sair pela nuca. Tudo isso me faz lembrar novamente que a morte também dói, e como sempre acordo vivo e solitário com o revolver vazio em mãos!
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