Hoje seria só mais um dia em que eu sentaria no escuro do meu quarto, sentindo frio sem me agasalhar tentando esquecer o calor que insola minha alma, sem pudor ou trégua se não fosse pelo retorno das criaturas de aparência amarga que invadem as sombras deixadas pelas brechas de uma vela já quase se apagando.
Eles rodeiam a pouca luz que alimenta o pavio de suas vidas da Minh’ alma; Tem formas familiares para mim. Pessoas que conheci bem, até que a morte nos separou, mas não por completo.
Quantos anos eu tenho hoje?
Mil?
Dois mil?
Não sei, perdi as contas nos quinhentos! Tudo o que sei agora é que não importa a idade para ser atormentado por antigas esposas mortais que um dia provaram do gosto amargo de uma maldição.
- Você merece morrer. – elas gritam em coral como Dríades em fúria.
Finalmente! Como esperei por isso. Chego a me sentir aliviado ao escutar essas palavras.
Não me lembro de um dia, um dia sequer em que alguém sem cérebro subdesenvolvido me disse que viver eternamente na terra era bom, mas posso lembrar que o mundo se deteriora e morre a cada novo segundo.
Seria esse então o meu fim?
Seria essa a morte que minhas esposas me anunciam?
Até o mundo pode morrer enquanto eu pra sempre terei de viver preso a uma alma amaldiçoada pela vida em morte?
Talvez eu morra quando o mundo morrer, talvez o mundo morra quando eu morrer ou talvez tudo morra quando morrermos. Somos um só!
Um só!
O mundo e eu...
O mundo do eu...
O mundo é meu!
Derrepente abro os olhos no escuro canto em que durmo e quando vejo a vela apagada lembro que o mundo da minha cabeça... Esse sim será eterno enquanto eu durar consciente.
Esposas... que alivio ser um mortal!
Nenhum comentário:
Postar um comentário